Kiwis amargos para a dádiva
Ver-te da ramada, um alpendre, uma enseada
Encaixar fiadas de milho
Secar nas eiras guardar as rasas nas tulhas, nas masseiras
O milagre de ter uma moça
Ir à venda comprar os selos, acompanhar a situação internacional e o branco loureiro
Salgo peixe de escabeche
Guardo livros, discos e filmes a trabalhar no campo sem tempo para o rock
Arrasta o rio nuns finos, finórios, gostava tanto de fumar
O segredo intacto da feitura do poema
Neste caso unir pontas escritas à literatura
Tem humor na dor
A voluptuosidade do silêncio
Ferver nas águas mais sulfurosas
Amar o largo de infância como o quintal
Seguir a beleza das estações
Gostar de traduzir um livro em francês, inglês e alemão (os vizinhos não se traduzem)
Ter a sabedoria de uma enorme biblioteca
Arrepender-me quanto antes da solidão
Comer umas sêmeas e uns trigos aos bocados
Chafurdar-nos dias mais felizes da vida
Darmos de comer os restos um cão rafeiro e uma gata da vizinha
Esquecer as noites que perdi
Um beijo uma grande união, pertencer-nos à dádiva mais alta do amor,
circundar a luz do universo, toda a beleza
Francisco Carmelo, 9/2/11
Ler mais | Comentários (3) | Visualizações (1237)
|