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Poesia





Felicidade
21Fev2011 17:16:38
Publicado por: Carmelo

 

Dar-nos ao amor,

Afastar a imperfeição, as pequenas gralhas linguísticas, os versos trocados, as raivas

Ganhar-nos concha, forma na humanidade tão injusta

Partilho a promessa das ondas e das últimas bouças e soutos de Barcelos

Conheço-as a dedo e por elas tenho medo

Nidifico no infinito mais desvairado do pecado

Há olhares como filhos para os poemas

Pesco à linha dos seres como se fazia tranversal às pontes, horizontal à àgua

Árdua cana mete-se comigo contra o escuro

Fiz dela um abrigo seguro onde me aquecendo ao borralho

A vida é tricot, enxergas, limpidez do céu, talho e saraivadas de beleza

Preocupo-me que a poesia seja de boa fazenda, só nisso das vaidades

A vida vale pelas pessoas interessantes que conhecemos

Corro por um encontro

Ergo justamente a vossa formusura que nos escuta

A sério queria rachar de beleza o mar

Acho até insensato gostar tanto da vida que se despede

Tenho um bom vinho sempre à mão, para sentir  a profundidade do mistério

Acho a música clássica, que só ouço, no  maior ascetismo,  de uma beleza insuportável

Na minha cabeça ainda estão os chicos, os coelhos, os pintainhos,

as galinhas e a limpeza das manjedouras das vacas

Gosto da verdade das pessoas ,apanhar mato nas matas

A vida contar o infinito do romance

Queria contar a história da humanidade, ensinar a solução única do amor,

uma história bem contada, na fase espartiçada e rara, unidos na minha voz …

 e tu chegares eu ser o último a não ficar só, já cumpri a minha parte, é contigo      


 

Francisco Carmelo,10/2/11

 



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A Banhos 162
21Fev2011 17:13:11
Publicado por: Carmelo

Assaltar casas, repartições para a verdade

A consumição pela beleza

A arte fresca da discoteca na represa no Este

Tenho o mar gigante para te dar

Desfaço/consumo as mais pequenas partículas para te ver

O amor tem aquela coisa de exacto, tem que ser aquela mulher

Tenho a mão para o sonho

A forma da esperança mais feminina

Convidem-me para uma vindima ou para a fornada do pão da tarde

Reparo que estou cercado de gaivotas

As palavras são seu voo picado

Escrevo quimicamente para os encontros

Há namorados que abanam com os versos como leques

Não tenho feitio para sofrer por nada

Aqueço-me na solidão com as mais silenciosas guitarradas

Acho que já vindimei o suficiente, o vinho do meu tio é o mais justo presente

Tenho para mim que devemos amar sempre

Perdoo tanto que perco o que ganho da arte

Escrevo, escrevo mas de miúdo que só conheço a arte da lavoura

Mas acho que a poesia pode segurar uma ponte antiga sobre um ribeiro

Há mesmo peixes que me encantam

As mulheres quando fulguro organicamente o meio natural

Sopro as velas pelo futuro pela mais pequenina esperança

Gostava de abrir regos de milho como a minha mãe me dispensa para as batatas

Sou útil para os namoros não serem só quimeras

Gosto de colher amoras das silvas nos muros da infância, sigo-te nos pombos correios

 

Francisco Carmelo, 9/2/11

 



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Resumos
21Fev2011 17:04:07
Publicado por:

Kiwis amargos para a dádiva

Ver-te da ramada, um alpendre, uma enseada

Encaixar fiadas de milho

Secar nas eiras guardar as rasas nas tulhas, nas masseiras

O milagre de ter uma moça

Ir à venda comprar os selos, acompanhar a situação internacional e o branco loureiro

Salgo peixe de escabeche

Guardo livros, discos e filmes a trabalhar no campo sem tempo para o rock

Arrasta o rio nuns finos, finórios,  gostava tanto de fumar

O segredo intacto da feitura do poema

Neste caso unir pontas escritas à literatura

Tem humor na dor

A voluptuosidade do silêncio

Ferver nas águas mais sulfurosas

Amar o largo de infância como o quintal

Seguir a beleza das estações

Gostar de traduzir um livro em francês, inglês e alemão (os vizinhos não se traduzem)

Ter a sabedoria de uma enorme biblioteca

Arrepender-me quanto antes da solidão

Comer umas sêmeas e uns trigos aos bocados

Chafurdar-nos dias mais felizes da vida

Darmos de comer os restos um cão rafeiro e uma gata da vizinha

Esquecer as noites que perdi

Um beijo uma grande união, pertencer-nos à dádiva mais alta do amor,

circundar a luz do universo, toda a beleza                           

Francisco Carmelo, 9/2/11

 



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Imagens
21Fev2011 16:47:08
Publicado por:

Aproxima-se dos frutos

Um rosto entre a paixão

Revela o segredo, envolve a cintura do silêncio

Adivinho o mar da tristeza

Aprofundo o fulgor da luz

Por vezes permito-me o infinito

Surpreendo-me a acariciar teclados como pianistas e papéis

Aceito a chamada do luar

Exilo-me na beleza dos sentimentos

Escorraço afanosamente a dor

Sou da felicidade mais completa

Há mar a mais no teu olhar

Se pudesse despedia o silêncio e a música alternadamente

Vejo-me a braços com a injustiça

Sofro por todo o género de pobres

Tenho-me endireitado da morte

Sossego sempre na beleza feminina

Tenho do ar uma noção amorosamente estranha

Sou vadio, sem qualquer arruaça, de compadrio

Já pouco me diz a solidão

Dar-me-ei  a qualquer puta

 Acho os rostos inexplicáveis

Reguei com gasolina dos sítios, a virgindade mais parada                                                                        

Aprofundo nomes no oásis líquido da poesia

Interesso-me por segredos

Um olhar pode explicar o mistério

Escrevo porque não tenho feitio para a solidão

Tens o tom dos portões antigos, ligeiramente rouge

Encontro o segredo depressa em ti

Escreve contra a secura do estio

Tenho nomes para as palavras, afilhadas das nabiças

Invento silêncios essenciais

Faço parte de às vezes ,da escrita não repetitiva

Vivo na esperança de te encontrar a lavar debruçada a roupa do rio

Tinha medo dos mergulhos das alturas, nunca subi ao penedo do sol à sacadinha

Corria a força das águas por baixo, na represa

Os amieiros ainda prolongavam mais os rios

Pressinto o silêncio, apaixonam-me os labirintos da beleza das mulheres

Tens rotas nas festas das colheitas

São um S. Miguel todas as minhas paixões

Sou uma prenda para o pecado

O que tenho a dizer é tão pouco que se afaste do amor

Queria ser uma promessa para o mar

Contribuis de todo para a história de arte

Contribuo para o irreparável da amizade

Tenho sorte em ter a beleza toda por perto

Estou uns furos acima da secura

É uma seca não ver a abelha mestra

O que inventas é pequeno para tamanha realidade

Convém ao sonho

Desperto para as flores

Faço compota  para entaramelar a poesia, entrar na tua toca bravia,

pago  o largo da humanidade, bocas foleiras para as solteiras,

andadeiras e outras que me preenchem completamente        

          

Francisco Carmelo, 11/2/11

 



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