Aproxima-se dos frutos
Um rosto entre a paixão
Revela o segredo, envolve a cintura do silêncio
Adivinho o mar da tristeza
Aprofundo o fulgor da luz
Por vezes permito-me o infinito
Surpreendo-me a acariciar teclados como pianistas e papéis
Aceito a chamada do luar
Exilo-me na beleza dos sentimentos
Escorraço afanosamente a dor
Sou da felicidade mais completa
Há mar a mais no teu olhar
Se pudesse despedia o silêncio e a música alternadamente
Vejo-me a braços com a injustiça
Sofro por todo o género de pobres
Tenho-me endireitado da morte
Sossego sempre na beleza feminina
Tenho do ar uma noção amorosamente estranha
Sou vadio, sem qualquer arruaça, de compadrio
Já pouco me diz a solidão
Dar-me-ei a qualquer puta
Acho os rostos inexplicáveis
Reguei com gasolina dos sítios, a virgindade mais parada
Aprofundo nomes no oásis líquido da poesia
Interesso-me por segredos
Um olhar pode explicar o mistério
Escrevo porque não tenho feitio para a solidão
Tens o tom dos portões antigos, ligeiramente rouge
Encontro o segredo depressa em ti
Escreve contra a secura do estio
Tenho nomes para as palavras, afilhadas das nabiças
Invento silêncios essenciais
Faço parte de às vezes ,da escrita não repetitiva
Vivo na esperança de te encontrar a lavar debruçada a roupa do rio
Tinha medo dos mergulhos das alturas, nunca subi ao penedo do sol à sacadinha
Corria a força das águas por baixo, na represa
Os amieiros ainda prolongavam mais os rios
Pressinto o silêncio, apaixonam-me os labirintos da beleza das mulheres
Tens rotas nas festas das colheitas
São um S. Miguel todas as minhas paixões
Sou uma prenda para o pecado
O que tenho a dizer é tão pouco que se afaste do amor
Queria ser uma promessa para o mar
Contribuis de todo para a história de arte
Contribuo para o irreparável da amizade
Tenho sorte em ter a beleza toda por perto
Estou uns furos acima da secura
É uma seca não ver a abelha mestra
O que inventas é pequeno para tamanha realidade
Convém ao sonho
Desperto para as flores
Faço compota para entaramelar a poesia, entrar na tua toca bravia,
pago o largo da humanidade, bocas foleiras para as solteiras,
andadeiras e outras que me preenchem completamente
Francisco Carmelo, 11/2/11
Ler mais | Comentários (0) | Visualizações (1060)
|