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Poesia





A Banhos 162
21Fev2011 17:13:11
Publicado por: Carmelo

Assaltar casas, repartições para a verdade

A consumição pela beleza

A arte fresca da discoteca na represa no Este

Tenho o mar gigante para te dar

Desfaço/consumo as mais pequenas partículas para te ver

O amor tem aquela coisa de exacto, tem que ser aquela mulher

Tenho a mão para o sonho

A forma da esperança mais feminina

Convidem-me para uma vindima ou para a fornada do pão da tarde

Reparo que estou cercado de gaivotas

As palavras são seu voo picado

Escrevo quimicamente para os encontros

Há namorados que abanam com os versos como leques

Não tenho feitio para sofrer por nada

Aqueço-me na solidão com as mais silenciosas guitarradas

Acho que já vindimei o suficiente, o vinho do meu tio é o mais justo presente

Tenho para mim que devemos amar sempre

Perdoo tanto que perco o que ganho da arte

Escrevo, escrevo mas de miúdo que só conheço a arte da lavoura

Mas acho que a poesia pode segurar uma ponte antiga sobre um ribeiro

Há mesmo peixes que me encantam

As mulheres quando fulguro organicamente o meio natural

Sopro as velas pelo futuro pela mais pequenina esperança

Gostava de abrir regos de milho como a minha mãe me dispensa para as batatas

Sou útil para os namoros não serem só quimeras

Gosto de colher amoras das silvas nos muros da infância, sigo-te nos pombos correios

 

Francisco Carmelo, 9/2/11

 



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